PSF#02 - 2023(pt.2)
Memórias e relatos dos jogos das eliminatórias da libertadores de 2023.
Eu particularmente acho preleções muito emocionantes. As vezes, você sem torcer para o time se sente impactado pelas palavras emocionadas de um líder, que tenta extrair as forças desconhecidas de um plantel. Não sei explicar, mas não é difícil se contagiar com o excesso de energia alheia. Na relíquia do slogan do Guaraná Antártica: “energia que contagia”.
Um dos momentos mais marcantes da primeira passagem do Fernando Diniz no Fluminense foi na partida fora de casa contra o Grêmio. Para ser sincero, não tem muita coisa positiva para lembrar dessa passagem. No dia 5 de maio de 2019, o Fluminense venceu o grêmio por 5 a 4, de virada, após o Grêmio abrir 3 a 0. Depois do jogo, o Fluminense divulgou o discurso pré-jogo do treinador e eu admito que tinha aquele momento uma esperança se acendia. Você pode assistir esse momento aqui.
"Ninguém tá no Fluminense para passear […] Grande, grande, entram lá com a alma grande. Vitória! Cada segundo, cada respiro: Vitória! Cada hora que um cara errar, é um motivo para você correr para acertar pelo companheiro, então Vitória!”
Esse discurso deu tão certo que "Vitória Fluminense!” virou meio que o slogan do Diniz na sua última passagem pelo clube, anos depois do jogo de 2019.
A nossa expectativa era tanta que nos apropriamos até da preleção dos outros. Em 2021, o [redacted], enquanto jogava pelo Palmeiras, fez um discurso emocionante o suficiente para qualquer torcedor do Fluminense tomar para si, em 2023. Naquele momento, o ex-zagueiro do Fluminense comparou a saga do alviverde com a conquista de Jericó, com as sete voltas na muralhas da cidade.
Depois da fase de grupos, só restavam 7 jogos para a nossa Glória Eterna. 7 voltas.
4 dessas voltas, foram em casa. Onde somos muito mais fortes.
Fluminense 2 x 0 Argentino Jrs
É realmente outro campeonato. O clima é outro, a tensão é outra. Pela primeira vez em minha vida, eu estava acompanhando o meu time numa eliminatória de Libertadores direto do estádio.
O Fluminense empatou na partida de ida, um jogo tenso na Argentina. Foi nessa partida que o Marcelo foi expulso, e eu não vou narrar o evento aqui. Mesmo com a vantagem no placar e em jogadores em campo, o adversário expulsou o goleiro, teve que colocar um jogador da linha no gol e tomou um golaço do Samuel Xavier.
O lateral tricolor teve seu auge nessas oitavas, sendo fundamental como nunca antes foi. Foi protagonista na ida e na volta.
Decidindo em casa, numa terça-feira chuvosa. Era fácil dizer que ia dar a gente, mesmo sem “oba-oba”. Pelo visto difícil era acontecer.
O primeiro tempo foi tenso. Os jogadores estavam pesados, carregando os sonhos de todos os tricolores espalhados pelo globo. A equipe do Argentino Jrs. foi para o intervalo com as "melhores" chances da partida, e vaiamos. Algo tinha que mudar.
Os jogadores voltaram para o campo ainda cagados, e o jogo não acontecia. O Fluminense agora jogava contra o relógio, ninguém queria as penalidades. Ninguém. Para resolver esse problema, Diniz saca do banco John Kennedy,
O JK parecia leve, como se tivesse vindo do futuro e soubesse do final. Ainda no tempo regulamentar, o camisa 9 escorou para o gol do Samuel Xavier (mais um!). Aos 86 minutos, o Fluminense encaminhava sua classificação para as quartas.
Mas faltava um gol dele também. Aos 97’, John fecha o caixão e o Fluminense vence o Argentino Jrs por 2 a 0. Depois do jogo, muita festa e esperança para o próximo confronto.
Fluminense 2 x 0 Olímpia
Esse time é velho conhecido nosso. Nas últimas vezes que se enfrentaram, o Olímpia decidiu em casa e eliminou o tricolor.
Em 2013, 2 x 1 no Paraguai e eles seguiram para as semifinais. Em 2022, 2 a 0 no Paraguai e eles levaram nos pênaltis, conseguindo a classificação para a Libertadores de 2022. Essa última foi especialmente dolorida, pois dias antes da partida de volta soubemos da venda do Luiz Henrique, o rei da América pelo Botafogo em 2024, por um valor que beirava o simbólico.
Pra piorar, tivemos esse lance no jogo de volta.
Tínhamos um fantasma para espantar, contra um grande adversário que tinha acabado de eliminar um rival, impedindo um sonhado FlaxFlu na Libertadores. Para tal missão, mais uma vez, ingressos esgotados para a partida e especialmente dessa vez tivemos uma grande festa. Do tamanho do clube.
Ao lado do meu pai e do meu amigo Giulio chorei copiosamente. O dia tinha sido emocionante, desde a rua de fogo (eu fui!) até a recepção aos jogadores em campo, com o mosaico e com fogos. Mais uma vez, estávamos diante de um jogo de Libertadores.
A equipe Paraguaia viajou para tentar neutralizar o ataque tricolor e ter condições de decidir em casa, estratégia que tinha funcionado nas oitavas e na pré libertadores que eu citei anteriormente. Para impedir isso, o Fluminense entrou em campo num 424. Arias, Keno, JK e Cano no ataque, enquanto no meio André carregava o piano e Ganso distribuia o jogo. Da defesa titular o Fluminense só não contava com o Marcelo, ainda suspenso.
O primeiro tempo foi um massacre tricolor, protagonizado principalmente pelo Keno. Nada parava ele, que distribuiu as grandes chances do Fluminense. Aproveito o espaço para fazer justiça ao camisa 11, que teve a sua lesão comemorada para dar espaço ao Lima. O título da Libertadores também passou pelos pés dele.
Kenaldinho, aos 42', se livra da marcação e acha o Cano, que escora para o André guardar. 1 a 0 que ainda não fazia justiça a partida, mas fazia justiça ao moleque de Xerém que naquela janela de transferências escolheu continuar no clube, por acreditar no projeto do título continental.
Não é todo dia que se abre mão de jogar pelo Liverpool, e também não é todo dia que se faz gol na Libertadores.
Nessa partida eu senti um das maiores simbioses entre clube e torcida. Eles jogavam por nós e nós gritávamos por eles. Um dos melhores jogos para se assistir da arquibancada.
Segundo tempo começou e o Flu continuava o rolo compressor. Não tardou muito, aos 58’, Keno faz bela jogada e JK finaliza. Na sequência imediata, a bola sobra no Cano que acha um golaço. Ele é mesmo o artilheiro de um toque só. Ele é mágico.
Infelizmente o vídeo não é meu, e não sei de quem é. De todo modo, essa foi a visão da arquibancada.
O jogo acabou em piscares de olhos, mas entre essas piscadas só dava Nense também. Keno força uma defesa do goleiro e deixa o Leo Fernandez na frente do gol, que perde o que seria o terceiro gol do Fluminense.
Fomos para o Paraguai com o mesmo placar do ano passado, mas esse time fazia por onde merecer o voto de confiança. Fomos para o Paraguai para ganhar lá também.
Fluminense 2 x 2 Internacional
Chegamos nas semis. Não que o sentimento fosse de incredulidade, mas a jornada até aquele momento havia sido bastante impressionante. O Fluminense na Libertadores vinha convencendo, e muito.
Porém, o Inter não era um adversário fácil. O time de Coudet também jogava bola para caramba e tinha como craque o Alan Patrick, sonho de consumo de quase todo time no Brasil naquele momento.
A festa que preparávamos foi pelos ares, na noite anterior um vento destruiu toda a preparação que foi montada na arquibancada. Improvisamos, mas não chegou aos pés da festa feita nas quartas. De todo modo, lá estávamos para mais uma vez apoiar o Fluminense.
Muitos tricolores se despediram do time presencialmente naquele jogo, a disputa para a final foi muito complicada. E a despedida foi quase amarga. Quase. Não amargou por causa desse cara aqui:
Foi uma partidassa de bola, pois são duas equipes que gostavam de finalizar, gostavam de fazer gols. O Inter assustava o Fluminense assim como o Fluminense assustava o Inter. E nessa troca, abrimos o placar primeiro, no começo do jogo.
A equipe colorada tinha um poder de fogo bastante letal, mas tinha uma defesa bastante débil também. Renê (hoje no Fluminense) e cia. frequentemente faziam o bom goleiro Rochet trabalhar mais que devia. Foi justamente na falha do lateral esquerdo que surge o primeiro gol tricolor.
Arias roubou a bola e entregou para o JK, que sem ângulo, encontra o Cano livre. 1 a 0.
Abrir o placar no começo, algo relativamente raro para o Fluminense naquela Libertadores. Mesmo com a vantagem, o Fluminense continuava muito exposto e Fábio operava grandes defesas, assim como Rochet que teve que neutralizar principalmente o Keno. A partida continuava muito equilibrada e, aparentemente, o Samuel Xavier não queria que fosse assim. Aos 45’, o lateral conseguiu ser expulso (de maneira justa, diga-se de passagem) e os caras fizeram dois gols ainda no primeiro tempo, felizmente, apenas um foi confirmado pelo VAR. Preocupante.
No segundo tempo, a mesma coisa. Eles marcaram dois gols mas apenas um valeu. Só dava Inter. Agora o clima era de velório, e eu admito que já passava pela minha cabeça que o Fluminense só tinha perna para chegar até ali.
Não se cantava mais na arquibancada. Não se acreditava mais. Para devolver nossa esperança, somente aquele que era a raiz de toda aquela campanha.
Num escanteio onde apenas 3 jogadores do Fluminense disputaram na área contra todos os jogadores do Inter, Nino resvala uma bola para o Cano achar mais um gol. Pura magia. O Fluminense estava de volta na disputa da semifinal, como se tivesse sido reanimado com um desfibrilador.
Não houve partida depois, mesmo o gol saindo aos 78’ minutos.
No final, o Diniz fez questão de ir para a torcida e deixar claro que eles iriam ganhar lá. Para muitos, foi uma despedida. Para mim, foi um até logo. Ainda reencontraria esse time na final.
Internacional 1 x 2 Fluminense
Não tem como deixar passar em branco a maior virada que o meu time aprontou. É claro que a minha intenção aqui é contar dos jogos que eu vi in loco, porém é mais claro ainda que esse capítulo merece uma menção.
Eu vivi a história a kms de distância, assistindo junto com a minha amiga de longa data Cass, pelo Discord.
Para o jogo em Porto Alegre tudo era diferente. O Fluminense não poderia se dar o luxo de deixar o Inter ampliar o placar, portanto o Diniz volta para o 433, reintegrando o Alexsander no time titular, preterindo o John Kennedy. Reagimos bem a essa notícia, por mais que a fase do JK fosse excelente. A ideia de ter um pouco mais de cautela parecia boa.
A estratégia do Fluminense durou 9 minutos. Num tropeço do Fábio, eles abriram o placar.
Ao contrário do jogo no Rio de Janeiro, apenas uma equipe jogava em Porto Alegre. Só o Inter havia chegado ao Beira-Rio. Mesmo após o gol, o Inter continuou assustando o Fluminense no primeiro tempo. A gente ficou a partida inteira nas cordas.
Como não deu certo, Diniz volta para o 424 e ainda coloca um volante num lugar de um zagueiro.
As narrativa dessa partida vocês provavelmente já sabem. O Valencia perdeu um caminhão de gols e o Fluminense achou dois no finalzinho. E sendo bem honesto, não foi muito longe disso mesmo.
O Fluminense não se desfazia da bola, não me entenda a mal. Teve mais posse nos dois tempos. Só não conseguia produzir. Pior que a partida do Argentino Jrs., o time tricolor tava completamente nas cordas dessa vez e nada funcionava.
O jogo era muito tenso, e o sentimento de impotência de ter que assistir esse jogo de casa era algo assustador. Minha amiga Cass, que nem tricolor é, me aguentou a partida inteira aos berros a cada gol evitado. Era muito desesperador.
Sabemos muito bem que existe a máxima de “quem não faz, leva”. E felizmente meu time foi quem saiu beneficiado dessa. E eu não posso omitir, além da falta de refino nas finalizações, o Fluminense teve momentos de genialidade de Fábio e, principalmente, Nino:
O pulso ainda pulsava.
Instantes após esse corte, um passe do Keno e um corta luz do Marcelo. Após isso, Cano deixou o JK de cara com o Rochet, que não teve o que fazer a não ser aceitar ser encoberto. Não acho que a camisa 9 do Fluminense jogue sozinha, o JK que é craque para caralho.
Porém eu não consegui comemorar esse gol. Até o apito de recomeço da partida, eu não acreditava que não havia sido impedimento. Não parecia real. Com aquele gol você conseguia claramente ver o castelo de cartas do Coudet se desmoronando.
Já era o suficiente, talvez de acabar com o psicológico do time adversário e levar a partida para os pênaltis. Mas sabemos que por aqui esse tipo de disputa nunca é opção.
6 minutos distanciaram o primeiro do segundo gol. Da comemoração aos toques de bola.
A jogada começa pela zaga, que sai trocando passes. André progride pro meio, passa pro Cano que devolve no Yony, ponta que tinha entrado improvisado na lateral. Yony lança para o JK, que desvia a bola para o Cano guardar. O silêncio se instaurava no Beira-Rio, e lágrimas brotavam nos meus olhos.
Esse gol eu comemorei. O Fluminense estava na final. E por muito pouco o JK não guardou mais outro.
No apito final eu chorei mais ainda. Agradeci muito a minha amiga Cass por ter passado aquele momento comigo, agradeci também a minha namorada por ter tentado me acalmar durante o jogo e liguei fui falar com meu pai. Desabei.
No dia 4 de Outubro de 2023, o Fluminense cravava seu nome na final da Libertadores. 5 anos antes, porém, eu estava assistindo minha primeira partida no Maracanã, ao lado do meu pai. Desabei ao recordar.
Nesses 5 anos de arquibancada que haviam passado, muita coisa havia mudado, mas ainda faltava uma pendência. Finalmente tínhamos a oportunidade de desfazer o erro cometido em 2008. Faltava apenas mais uma volta.











tmj!
citar o jogo contra o grêmio foi covardia sua, tomei dano de graça lendo... mas fui curada logo em seguida lembrando do jk e do cano marcando em poa fkdsjflkasjf vamo tricoloooooorrrrr